Foto: TV Cacequi (reprodução)
Cerca de 500 pessoas participaram, na noite de domingo (22), de uma caminhada contra o feminicídio e a violência contra a mulher em Cacequi. O ato foi marcado pelo silêncio, camisetas pretas, velas acesas e cartazes com pedidos de justiça.
A concentração ocorreu em frente à Estação Férrea. De lá, os participantes seguiram pela Rua Bento Gonçalves, uma das principais vias da cidade, até a Praça Getúlio Vargas, onde a mobilização foi encerrada. Durante o trajeto, foram citados nomes de mulheres vítimas de feminicídio no Rio Grande do Sul nos últimos dias, em um momento de forte emoção.
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Na praça, o grupo realizou uma oração coletiva do Pai-Nosso, simbolizando união e solidariedade às famílias das vítimas. A caminhada teve como objetivo chamar atenção para a necessidade de ampliar a proteção às mulheres e reforçar a importância da denúncia em casos de violência. Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados pelo telefone 180.
Entre os cartazes, estava o nome de Cássia Girardi do Nascimento, 26 anos, uma das vítima de feminicídio no Estado e moradora de Cacequi.
Relembre o caso
Cássia foi morta na madrugada de sábado (14), em uma residência no Bairro Iponã, em Cacequi. Conforme a investigação da Polícia Civil, ela foi atingida por disparos de espingarda calibre 12.
Segundo a polícia, a jovem procurou a delegacia na tarde de sexta-feira (13) para registrar ocorrência por violência doméstica contra o ex-companheiro. O caso foi comunicado ao Ministério Público e a Justiça decretou medida protetiva ainda no mesmo dia. De acordo com o delegado Adriano Linhares, o suspeito foi intimado da decisão judicial antes do crime.
Mesmo após a intimação, o feminicídio ocorreu poucas horas depois. Cássia deixa um filho pequeno.
O suspeito, Bruno da Rosa Padilha, 29 anos, ficou foragido até se apresentar na terça-feira (17) na Delegacia de Polícia de Rosário do Sul, acompanhado de familiares e advogados. Desde a decretação da prisão preventiva, equipes da Polícia Civil realizaram buscas no município e no interior.
Durante o interrogatório, ele optou por permanecer em silêncio.
O que diz a defesa
Procurada pela reportagem, a defesa de Bruno Padilha informou que o caso tramita em sigilo, e que só irá se manifestar nos autos do processo. Confira a nota da defesa.
"O Escritório Dall’Agnol & Pahim Advogados esclarece que o caso em questão tramita sob sigilo, circunstância que impõe às partes e aos profissionais envolvidos o dever de cautela e responsabilidade na condução das informações. O respeito às determinações legais e à preservação dos direitos fundamentais deve prevalecer, especialmente em situações de grande repercussão social.
Dessa forma, eventuais manifestações serão realizadas exclusivamente nos autos do processo, no momento oportuno, evitando-se a exposição indevida das partes e a espetacularização do Direito. Reafirmamos nosso compromisso com a legalidade, a serenidade institucional e o regular andamento das investigações."